texto chave: Provérbios ( 20:19; 26:20-22 ).
A igreja
do Senhor é composta de pessoas chamadas para deixar o pecado e sair
definitivamente do império das trevas (Colossenses 1:13). O desejo de todo
discípulo deve ser de manter a santificação – a separação da iniqüidade – para
imitar e honrar o Mestre que o resgatou. As pessoas que fazem parte da igreja
de Deus foram chamadas “para ser santos” (1 Coríntios
1:2). O Senhor que nos chamou disse: “Sede santos, porque eu sou
santo” (1 Pedro 1:16).
Embora a
santificação e perfeição sejam nossos alvos, ainda erramos. Deus faz tudo para
nos ajudar nas batalhas contra a tentação (Romanos 8:31-39) e sempre oferece
uma saída das ciladas do Adversário (1 Coríntios 10:13). Mesmo assim, falhamos.
O apóstolo João escreveu aos cristãos quando disse: “Se dissermos
que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está
em nós” (1 João 1:8).
Sabemos
que não somos perfeitos. Eu faço coisas que não devo e deixo de fazer coisas
que devo. Sei que os meus irmãos, também, erram. Reconhecendo esses fatos
tristes, entendemos que há pecado na igreja.
Ao invés
de nos conformar à realidade lamentável de pecado na igreja, devemos buscar e
seguir as instruções bíblicas para purificá-la. “Segui a paz com
todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus
12:14).O que os fiéis devem fazer?
A
Santidade Começa Comigo
Quantas vezes ficamos olhando pela janela
para ver as falhas dos outros quando precisamos olhar no espelho e enxergar os
nossos erros? Jesus perguntou: “Por que vês tu o argueiro no olho de
teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? .... Tira
primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro
do olho de teu irmão” (Mateus 7:3-5).
Devemos
levar a santificação a sério, começando com os nossos próprios corações, e com
as atitudes e o procedimento do nosso dia-a-dia. Cobrar a pureza dos outros
enquanto vivemos deliberadamente no pecado é seguir a hipocrisia dos fariseus
(Mateus 23:3-4,25-28), e não a santidade de Jesus Cristo (1 Coríntios 11:1).
( As Atitudes Necessárias Para Corrigir os Irmãos que Pecam
)
Este
estudo fala do trabalho essencial de corrigir os irmãos que pecam, procurando
resgatá-los da condenação. Ao mesmo tempo, estudaremos sobre a responsabilidade
da igreja de se manter pura. Um pequeno artigo não é suficiente para examinar
todas as passagens que falam sobre esses assuntos. Por isso, examinaremos
especificamente as passagens que mostram como agir quando um irmão peca. Antes
de falar sobre o que fazer, é importante também considerar as atitudes certas
em fazer esse trabalho. As seguintes passagens devem ser consideradas por qualquer
pessoa que se envolve na obra de resgate de irmãos perdidos. Observemos alguns
princípios essenciais:
● Devemos
procurar o pecador e perdoar o irmão arrependido (Lucas 15:1-32). Esta parábola
bem conhecida repreende a auto-justiça do irmão mais velho, que não desejava e
não agia para incentivar a reconciliação do irmão desviado com seu pai. Quantos
“cristãos” de hoje mostram a mesma falta de amor?
● Cada
membro do corpo tem sua função para a edificação dos outros (Efésios 4:16). O trabalho
de correção dos irmãos que pecam não se limita aos pastores. Cada parte deve se
cooperar na edificação mútua para o bem do organismo todo.
● Os
irmãos mais fortes devem restabelecer “as mãos descaídas e os joelhos
trôpegos” (Hebreus
12:12-17). Ajudemos os fracos e desanimados para que não caiam nas mãos do
Inimigo.
A
Correção do Irmão que Cai no Pecado
Quando
sabemos de pecado na vida de um irmão, devemos agir. Os espirituais devem
corrigi-lo com brandura (Gálatas 6:1). Também sofremos com as fraquezas
humanas, e devemos ser compreensivos na abordagem do pecador. Mas a nossa
compreensão não justifica o pecado, e não deve se tornar tolerância ou
aprovação. Ajamos com brandura, cautela, sem querer aparecer na frente dos
outros, mas corrijamos!
● A conversão
do irmão de seu pecado é a salvação de sua alma (Tiago 5:19-20; Provérbios
24:11). Igrejas que ensinam a impossibilidade do crente perder a salvação (uma
doutrina fundamental do calvinismo) negam o ensinamento bíblico e oferecem uma
falsa segurança às pessoas que caem. Tiago disse que o resgate do irmão que
peca é uma conversão que salva a alma dele!
● Há
casos em que a correção pública é necessária (1 Timóteo 5:20; Gálatas 2:11-14). Alguns
pecados públicos, se não corrigidos diante das outras pessoas, poderão levar
outros ao mesmo erro. É desagradável, mas necessário, responder publicamente
aos erros de alguns irmãos.
● Em
questões de ofensas pessoais, Jesus deu instruções específicas sobre como agir.
Quando um irmão peca contra outro, devemos fazer o que Jesus mandou (Mateus
18:15-17): Falar em particular com a pessoa que nos ofendeu. Se ela não aceitar a
correção, devemos tentar de novo, levando uma ou duas testemunhas. Se ela ainda não se arrepender,
devemos levar o caso à igreja, que também deve repreender o ofensor. Se a
pessoa for rebelde até esta última etapa, devemos nos afastar dela. Por outro
lado, se o ofensor se arrepender, em qualquer momento, devemos perdoar e nos
reconciliar, certos de que Deus, também, perdoa o arrependido.
Estas instruções
de Jesus proibem a prática comum e erronia de espalhar notícias dos erros
particulares dos outros, sem primeiro falar com eles para ajudá-los (Provérbios
20:19; 26:20-22).
A
Expulsão do Irmão Que Anda Desordenadamente
O ensinamento
de Paulo reforça as instruções de Jesus. Quando um irmão volta ao pecado e
recusa se arrepender, os discípulos não devem se associar com o ele (1
Coríntios 5:1-13). A linguagem de Paulo – especialmente seu uso da palavra
“expulsar” – é tão forte que muitos procuram palavras mais suaves para diminuir
o impacto deste ensinamento. Observamos neste capítulo vários pontos
importantes:
● O
problema:
Tolerância do pecado (e do pecador) na congregação (5:1-2).
● A ação
exigida: Entregá-lo
a Sátanas (5:5). O pecador queria ficar com um pé no reino de Cristo e outro no
império das trevas. Paulo mandou colocar os dois pés no reino do diabo, para
que o irmão aprendesse a futilidade da vida no pecado.
● Os
propósitos: A salvação do pecador
(5:5); A pureza da igreja (5:6-8); A obediência a Deus numa
igreja pura e fiel (5:4,8).
● A
aplicação prática: Evitar
o envolvimento social com o pecador: “...não vos associeis com
alguém que, dizendo-se irmão, for impuro...; com esse tal, nem ainda comais” (5:11).
Em palavras ainda mais fortes, Paulo diz: “Expulsai, pois, de entre
vós o malfeitor” (5:13).
Paulo
reitera o mesmo princípio nas instruções dadas aos tessalonicenses. Devemos nos
apartar de todo irmão que ande desordenadamente (2 Tessalonicenses 3:6,14-15).
Observemos o significado deste trecho:
● Todo
irmão que ande desordenadamente: Qualquer um, mesmo que seja familiar ou parente de
irmãos respeitados que se mostra insubmisso à palavra de Deus.
● Devemos
apartar/notar/não associar: Se mantermos a mesma relação de antes, a pessoa não se
envergonhará do seu erro, e outros podem ser induzidos ao pecado.
●
Advertir como irmão, não tratar como inimigo: Tudo que fazemos para corrigir o pecador e
manter a pureza da igreja deve ser motivado pelo amor, não pelo ódio ou
desprezo das pessoas que caem. Quando tivermos contato com um irmão que foi
expulso, devemos aproveitar para advertir e encorajá-lo a voltar para Deus.
Em outra
carta, Paulo ensinou que os fiéis devem notar e se afastar daqueles que
provocam divisões contra a doutrina de Cristo (Romanos 16:17). Mais uma vez,
temos de tomar uma postura firme contra o pecado.
O Perdão
do Arrependido
Se o
pecador se arrepender e voltar, os outros irmãos devem perdoar e aceitá-lo (2
Coríntios 2:3-11). Igrejas que praticam a expulsão sem a possibilidade de
reconciliação (no caso de determinados pecados como adultério, por exemplo)
erram por não mostrar o espírito de Deus, que “é rico em
perdoar” (Isaías 55:7). O irmão arrependido deve ser perdoado e
aceito e abraçado, não tratado como um cidadão de segunda classe. Uma vez que
ele abandonou o império das trevas, precisará do apoio dos fiéis para se firmar
novamente no reino de Cristo.
Tenhamos o amor e a coragem para confrontar o
pecado – na nossa vida e na igreja -- da maneira que Deus quer.
