sábado, 15 de outubro de 2011

Lição bíblica 2: Quando a crise mostra a sua face

Quando a crise mostra a sua face

“E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo” (Ne 1.3).

Somente uma liderança guiada e orientada por Deus pode vencer a crise.

A CRISE EM JERUSALÉM


Antecedentes históricos. Por causa de sua deliberada desobediência ao Senhor, o reino do Norte, composto por dez tribos, foi destruído pela Assíria que, para humilhar ainda mais os filhos de Israel, levou-os cativos à Mesopotâmia. Isso aconteceu em 722 a.C. Em 586 a.C, foi a vez do reino do Sul. Veio Nabucodonosor contra Jerusalém, deitou por terra o Santo Templo e derribou os muros da Cidade Santa. Em seguida, levou os filhos de Judá cativos a Babilônia, onde permaneceriam durante setenta anos (Jr 25.11). Deus dá o escape. Com a ascensão do império medo-persa no ano 536 a.C, o rei Ciro, instigado por Deus, permite que um grupo de judeus retorne a Jerusalém, a fim de reconstruir os muros da cidade e reerguer o Santo Templo (Dn 8.3; Ed 1.1). O Senhor sempre dá um escape aos seus servos, quando estes o honram e lhe obedecem à Palavra. Observemos que Ciro era um rei gentio. Isso nos mostra que Deus, para cumprir o seu propósito, usa a quem Ele quer e como quer. A volta com Zorobabel. Sob a proteção de Ciro, uma primeira leva de 42.360 judeus, sob a liderança de Zorobabel, retorna a Jerusalém, para reconstruir a cidade e a Casa de Deus (2 Cr 36.22,23; Jr 29.10). No Êxodo, a população de Israel era, de acordo com alguns cálculos, de aproximadamente três milhões de pessoas. Mas esse número foi decrescendo à proporção que o povo se rebelava contra Deus. A desobediência é pecado e todo pecado traz irreparáveis consequências. Por isso, deve o crente afastar-se da iniquidade e de tudo que lhe possa prejudicar a comunhão com o Senhor. Zorobabel começou a reconstrução pelo altar (Ed 3.2,3). Se este acha-se em ruínas, nada prospera no meio do povo de Deus. Algum tempo depois, os inimigos levantaram-se e denunciaram a reconstrução da cidade ao rei medo-persa que, nessa ocasião, era Artaxerxes. Eles pediram-lhe que ordenasse a paralisação dos trabalhos. Mas, com a subida de Dario ao trono, a obra foi retomada e concluída (Ed 6). O Santo Templo foi reinaugurado em 516 a.C (Ed 6.13-22).

II. O CHAMADO DE NEEMIAS


Quem era Neemias. Seu nome significa “Deus consola”. Ele era filho de Hacalias e o seu irmão chamava-se Hanani (Ne 1.1; 7.2). Na corte persa, exerceu a função de copeiro do rei Artaxerxes I. Como se vê, Deus usa as pessoas segundo o seu querer e de acordo com a sua vontade. Chamado por Deus. Catorze anos depois da expedição de Esdras a Jerusalém, em 444 a.C, Neemias recebe urgentes e preocupantes notícias de Jerusalém. Apesar de o Santo Templo já estar funcionando conforme as leis levíticas, a cidade encontrava-se ainda abandonada (Ed 6.14-16; Ne 1.1.2). Ele, então, sente o chamado de Deus para deixar o conforto palaciano e viajar para Israel, a fim de reconstruir os muros da Cidade Santa que se achavam fendidos “e as suas portas, queimadas a fogo” (Ne 1.3). Aqui, temos uma grande lição. Templo sem muros é igreja sem doutrina. E as portas queimadas representam o liberalismo que, infelizmente, predomina em muitas igrejas, facilitando a entrada de costumes mundanos entre os santos. Não é o que ocorre em nossos dias? Que jamais venhamos abandonar os padrões bíblicos de santidade, conduta e ética. Orando em tempos de crise. “Assentei-me e chorei” (Ne 1.4). Ao tomar conhecimento da situação de seu povo, em Jerusalém, Neemias sentiu-se incomodado e pôs-se a orar ao Senhor. Sua oração, regada com abundantes lágrimas e acompanhada de jejum, lamentos, adoração e confissão, é um exemplo de como um homem de Deus deve proceder em momentos de crise (Ne 1.5-10). Ele fez o que o Senhor ordenou em 2 Crônicas 7.14. Neemias orou durante quatro meses antes de se dirigir ao rei (cf. 1.1 e 2.1). A oração é a chave que nos abre as portas dos céus. Neemias não confiava em sua capacidade ou habilidades diplomáticas. Sua confiança estava no Todo-Poderoso que ouve e responde as nossas orações.

A INTERCESSÃO DE NEEMIAS


Ele Adorou a Deus. “E disse: Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos!” (Ne 1.5). Neemias não iniciou sua oração, pedindo; iniciou-a, adorando a Deus. Antes de pedir, de suplicar, o crente deve adorar e exaltar o nome do Senhor. Adore ao Senhor pelo que Ele é independentemente do que venha a fazer em seu favor. Ele intercedeu por seu povo (Ne 1.6). Hoje, mais do que nunca, há necessidade de contínua intercessão pela família, pela igreja e pela nação. A sociedade atual em nada difere de Sodoma e Gomorra. Os governos posicionam-se abertamente contra os princípios da Palavra de Deus. O aborto é defendido como “caso de saúde pública” e não de ética ou de moral. O homossexualismo tem expresso apoio das autoridades. Por isso, a Igreja precisa orar e suplicar ainda mais a intervenção de Deus em nossa nação (2 Cr 7.14). Temos de interceder, chorar e jejuar por nosso país antes que seja tarde. Ele fez confissão de pecados (Ne 1.6b). A confissão foi certamente um dos pontos altos da oração de Neemias. Ele tinha consciência do pecado de seu povo contra Deus. Aliás, Israel mesmo conhecia as advertências dos profetas quanto à desobediência à lei divina. Uma das mais terríveis era a sua dispersão pelas nações (Ne 1.9). Foi exatamente o que aconteceu: os judeus amargaram setenta anos de exílio em Babilônia (Jr 25.11,12; 29.10). Para castigar, Deus tem limites, mas para abençoar, é ilimitado. Sua benignidade é para sempre (Sl 106.1).

Aprendemos que Deus levanta homens, como Neemias, para executar seu propósito. O bravo e sábio judeu liderou a reconstrução de Jerusalém e a restauração espiritual do seu povo. Ele não se limitou a orar pela nação, mas agiu e não se curvou às circunstâncias. Precisamos de homens de oração e iniciativa para que ajudem na restauração moral e espiritual de nossa gente.
        

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